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LOCAL DE CRIME NA ILHA DE COTIJUBA - Arcleidy Pereira

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Local de Crime na Ilha de Cotijuba

 

P R Ó L O G O

 

O Delegado Albuquerque Ferraz aguardava o momento certo para fazer o flagrante. De estatura mediana, agilidade nos movimentos, demonstrando disposição física admirável para quem já passou dos cinquenta anos de idade. Pele clara, cabelos grisalhos, rosto alongado, lábios finos, olhos escuros e encovados. O tom alto e grave de sua voz impunha respeito entre seus comandados, mas também soltava sonoras gargalhadas nos momentos de descontração. Estava vestido com camisa preta, calça jeans e o colete a prova de balas.

Sua equipe estava pronta. Observavam toda a movimentação da feira de dentro de uma viatura estacionada perto do cais. O veículo não possuía identificação para não chamar a atenção dos traficantes. O barco com a droga chegaria dentro de meia hora. Com mais este recebimento Carapreta, o dono da mercadoria, e maior distribuidor de drogas para as bocas de fumo de Belém, iria aumentar seu domínio dos principais pontos de venda na cidade e objetivo dele era fazer do porto de Belém um corredor de exportação de drogas para os Estados Unidos e Europa. O Delegado Ferraz esperava que tudo ocorresse bem com ele e seus auxiliares. O mais importante era fazer a apreensão da droga para colocar finalmente esse traficante e seu bando na cadeia. Mas fazer um flagrante estava cada vez mais difícil, pois frequentemente os bandidos eram avisados e a operação fracassava. Mas quem fornecia informações sobre as ações da polícia para os traficantes? A corregedoria estava sigilosamente investigando para saber por onde as informações vazavam.

Desta vez tudo foi cuidadosamente planejado e nada podia dar errado, mas em uma missão de flagrante nunca se sabe o que pode acontecer. Junto com ele estava a mesma equipe de sempre.  No volante o motorista Russo, que conhecia quase todas as ruas de Belém.  Era franzino e de baixa estatura, um pouco calvo, usava bigode, cabelos louros, olhos claros e barba por fazer. Fausto era um investigador experiente e corajoso, mas estava um pouco acima do peso e vagaroso nos movimentos. Seus cabelos eram grisalhos e barriga denunciando sedentarismo. Ao lado do delegado no banco traseiro estava Abaeté. Seu jeito calado combinava com os traços indígenas de sua aparência. Era o melhor atirador da Policia Civil. “Minha equipe está completa tenho certeza que vai dar tudo certo”, pensava Ferraz conferindo mais uma vez as horas no relógio de pulso. O vento frio da Baia do Guajará ajudava afastar o sono, mas as horas passavam e nada dos traficantes aparecerem.

De onde estavam estacionados os policiais podiam ver o mercado do Ver-O-Peso, e toda a movimentação da Feira do Açaí. O delegado observava os barcos chegando procurando espaço no cais para descarregar, peixes, frutas e passageiros.  Descarregavam também os cestos de açaí, um dos ícones da cultura paraense. A preciosa mercadoria descia das embarcações e era rapidamente conferida, vendida e transportada para ser distribuída aos revendedores de cidade.

Como bom paraense, Ferraz adorava tomar açaí após o almoço e depois era inevitável um rápido cochilo. Ele era querido e respeitado por todos que o conheciam tanto pela sua competência profissional como também por ser um exemplo de solidariedade e apreço pela vida humana. Tinha também um elevado senso de equilíbrio e imparcialidade na aplicação da lei, e a consciência da importância do trabalho da Polícia Civil para a segurança da população. Ferraz sempre gostou de trabalhar no combate ao tráfico de drogas. A atividade criminosa dos traficantes era responsável direto pela maioria dos assassinatos de jovens na periferia de Belém. Eles atraiam e viciavam os adolescentes provocando a entrada deles em um caminho sem volta. A droga vem de países produtores da América do sul e desce pelos rios e afluentes da bacia Amazônica transportados através de barcos, balsas, e pequenos navios chegando até o porto de Belém.

Ferraz ajustou o colete à prova de balas. Tinha que ter cautela e muito cuidado ao abordar a embarcação para não colocar em risco a vida dos passageiros, mas a justiça precisava ser feita, e com urgência. De repente, de onde estavam estacionados, observaram quando o grande barco de casco branco que estavam esperando surgiu e vinha vagarosamente em direção do cais. A bonita embarcação se aproximava lentamente fazendo as manobras para atracação. Possuía um convés principal para carga e passageiros que dormiam em redes e um convés superior com cabines refrigeradas. Toda a superestrutura era protegida por balaustres de madeira que circundavam a embarcação. No convés principal ficavam também as acomodações da tripulação e a escada de acesso à ponte de comando. O costado da embarcação tocou suavemente no cais e os marinheiros puxaram os cabos completando a amarração. A escada foi colocada para o cais para descida da carga e passageiros.

Ferraz estava com atenção redobrada. Chegou a hora do flagrante.

O delegado olhava cada pessoa que subia a bordo, conhecia alguns integrantes da quadrilha de Carapreta. A maioria era de jovens delinquentes que já passaram por Instituições públicas de assistência aos menores infratores.

- Não tirem a atenção do barco! Os bandidos podem chegar a qualquer momento. – disse o delegado e continuou - Assim que eles subirem a escada nós iremos atrás deles. Só daremos a voz de prisão quando a mala de cocaína aparecer.

- Delegado, olhe aquele carro preto estacionando. Acho que os bandidos chegaram... – disse O motorista Russo, apontando para o veículo suspeito.

- Um deles saiu do carro e está subindo a escada da embarcação e o outro ficou aguardando. - Eu conheço os dois - disse Fausto - eles são da quadrilha de Carapreta.

- Vamos lá, pessoal! Vamos começar prendendo este que ficou no carro.           

O delegado e os investigadores saíram da viatura empunhando suas armas e foram em direção ao motorista do veículo estacionado. Ferraz deu a voz de prisão.

- Polícia!... Saia do carro com as mãos na cabeça!   Agora!

O bandido foi algemado e colocado dentro da viatura policial.

- Agora vamos subir a bordo do barco com calma. - disse o delegado olhando atentamente para os lados e para a enorme embarcação branca atracada ao cais.

- Russo você fica aqui na viatura! Eu e Fausto daremos o flagrante dentro do barco e Abaeté ficará dando a cobertura perto da escada de saída.- bradou o delegado demonstrando sua liderança na equipe.                                                                         

 

 Ferraz subiu a bordo e ficou escondido atrás de uma porta de acesso á casa de máquinas. Viu quando o bandido foi fazer o recebimento da droga.  

Um marinheiro apareceu e trazia uma grande mala azul. Após cumprimentar o traficante passou a mala para ele. Neste momento o Delegado apareceu.  

- Policia! Ninguém se mexe! Passa essa mala pra cá – gritou Ferraz apontando a arma.

O traficante rapidamente sacou um revólver e atirou no Delegado que se agachou se desviando do tiro, mas a bala passou e atingiu de raspão o pescoço de Fausto que vinha logo atrás. Ferraz também atirou, mas o traficante se protegeu usando o objeto como escudo. O projétil penetrou na mala e fez um orifício por onde escorria um pouco de pó branco pelo piso do convés. Enquanto Ferraz socorria o colega ferido, o marinheiro o atacou com socos, mas o Delegado aplicou-lhe violento chute no estômago e ele caiu gritando de dor sendo imediatamente algemado. O traficante com a mala na mão corria pelo estreito corredor para a saida do barco, mas Ferraz sabia que ele iria se defrontar com o policial Abaeté. Qualquer pessoa que tentasse escapar por ali seria interceptado por ele.

O policial Abaeté avistou o bandido passar correndo em direção à saída. Quando avistou o investigador ele voltou para dentro dos compartimentos da embarcação. Abaeté seguiu atrás dele e quando o avistou, deu a voz de prisão: 

- Mãos na Cabeça! Vire-se devagar!   É a policia. - gritou o policial.

 Ele sacou a arma atirou duas vezes, mas o investigador se esquivou e ao mesmo tempo disparou um tiro certeiro no peito do traficante derrubando-o no chão. O Delegado Ferraz surgiu no convés e viu o corpo do bandido estendido sobre a mancha de sangue. Abaeté ainda com a arma na mão se justificou:

- Delegado ele reagiu e atirou duas vezes em mim. Eu tive que atirar também. Era ele ou eu.

- Você fez muito bem, mas cadê a mala com a droga?

- Que mala? Ele não estava com mala nenhuma. 

Ferraz não queria acreditar que a mala com a droga sumiu na frente dele. Com o rosto expressando aborrecimento e frustração, disse:

- Revistem todas as cabines e compartimentos deste barco. A mala ainda está aqui dentro. Vamos vistoriar tudo, ninguém sai e ninguém entra aqui sem ser revistado. Vou solicitar a vinda dos Peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. Esta mala vai ter que aparecer.

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